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(Texto reescrito e atualizado com mais informações e
declarações)
Por Maria Carolina Marcello
BRASÍLIA, 6 Dez (Reuters) – O clima entre aliados mudou, a
resistência diminuiu e a reforma da Previdência, que ganhou
força nesta semana, tem chances de ser votada na próxima
terça-feira, avaliaram integrantes da base governista nesta
quarta-feira.
A avaliação de governistas é que a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) tem atualmente cerca de 260 votos e, nas
estimativas mais otimistas, pode ter até 310 votos. A medida
precisa de ao menos 308 votos nos dois turnos de votação na
Câmara dos Deputados para ser aprovada pela Câmara. Mas por
precaução, aliados trabalham para obter cerca de 320 votos entre
os 513 deputados para garantir uma margem de segurança.
"O engajamento tem crescido… Estamos no melhor momento
desde que se iniciou essa reforma", disse o relator da proposta,
deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), após café da manhã com o
presidente Michel Temer, líderes aliados, o presidente da
Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o secretário de Previdência,
Marcelo Caetano, e ministros.
Seja pela impopularidade do tema, seja pela proximidade do
período eleitoral, a reforma da Previdência vem enfrentando
grande resistência mesmo entre aliados que tradicionalmente
apóiam a tese da reformulação das regras de aposentadoria.
Mesmo assim, após enfrentar as batalhas das duas denúncias
criminais oferecidas contra o presidente, o governo retomou a
discussão da proposta e mobilizou todos os instrumentos de
negociação. Abriu mão de diversos pontos do texto, apresentou
uma versão mais enxuta e, num esforço de comunicação, passou a
adotar o discurso que a reforma foi editada para combater
privilégios dos que ganham mais e se aposentam mais cedo.
"O balanço é bastante favorável, melhorou sensivelmente a
possibilidade de votação", disse o ministro da Ciência,
Tecnologia, Inovação e Comunicações. Gilberto Kassab, que é
presidente licenciado do PSD e também estava presente no café da
manhã desta quarta.
"Eu acredito, agora falando em meu nome, que as
possibilidades de votação, de aprovação do projeto, são muito
grandes hoje", afirmou Kassab.
O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos vice-líderes
do governo na Câmara, calcula que a votação possa ocorrer já na
próxima semana, com a ressalva que é o presidente da Câmara quem
tem a prerrogativa de pautá-la.
"Na semana passada estávamos longe, essa semana estamos mais
perto. Vamos ter votação na terça-feira, sim", disse Perondi a
jornalistas após o encontro.
"Votaremos na próxima terça-feira, quebraremos o interstício
(prazo regimental entre uma votação e outra)… O Brasil terá
votação na próxima semana", garantiu.
Apesar do otimismo –o relator da reforma estima ter entre
290 e 310 votos– governistas ainda têm um longo trabalho pela
frente, tendo como alvo os indecisos em cada bancada. Por isso
mesmo, técnicos especialistas no assunto devem ter reuniões com
diversos partidos ainda nesta quarta-feira.
Perondi acompanhará consultores da Previdência em encontros
com as bancadas do PR e do PSD nesta tarde, enquanto o relator
deve conversar com o PSDB, que reúne nesta quarta sua Executiva
Nacional, deputados e senadores. Marcelo Caetano também deve
comparecer à reunião do PSDB.
Também está prevista para esta quarta uma reunião da
Executiva do PMDB, ocasião em que o partido do presidente Temer
deve fechar questão a favor da proposta.
Após a tarde de movimentações, aliados devem novamente se
reunir no Palácio da Alvorada para uma nova avaliação do quadro.
Na ocasião, aliados cruzarão os dados que colheram das bancadas
com as informações repassadas por entidades interessadas na
aprovação da proposta, de forma a ter uma avaliação realista de
quantos votos realmente têm.
Governistas calculam que se obtiverem um bom patamar de
votos, ainda que inferior aos 308 necessários, poderão insistir
na articulação e na tentativa de votar a proposta na próxima
semana. Alimentam a expectativa de que, tendo ao menos 290
votos, consigam convencer os indecisos.

(Edição de Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))

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