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(Texto reescrito e atualizado com detalhes da denúncia)
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 17 Mai (Reuters) – Brasileiros que se tornaram
réus por organização criminosa e promoção do Estado Islâmico
(EI) no país discutiram em redes sociais e aplicativos de
mensagens a realização de atentados durante o Carnaval e também
contra importantes instituições públicas do país, como STF,
Congresso Nacional e Associação Brasileira de Inteligência
(Abin), segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público
Federal (MPF) obtida pela Reuters nesta quinta-feira.
Em uma das conversas, segundo relato do MPF, um dos acusados
sugeriu a realização de um atentado nos moldes do feito na Ponte
de Londres, ocorrido há pouco mais de um ano, durante o Carnaval
no Rio de Janeiro. Outro integrante do grupo, porém, defendeu a
realização do ataque no Carnaval de Salvador porque haveria mais
pessoas, "com o nítido propósito de potencializar os efeitos do
atentado".
No ano passado, conforme a ação, um blog da internet mantido
por um dos integrantes do grupo, de nome “jihadologyweb”,
publicou uma série de discursos de "ódio e vingança" contra
órgãos do governo brasileiro em virtude da prisão dos envolvidos
na denominada Operação Hashtag, deflagrada às vésperas das
Olimpíadas do Rio 2016 para combater eventual promoção de ações
terroristas.
Em setembro, novas ameaças foram publicadas, com instruções
para possíveis "lobos solitários" se martirizarem em nome de
Allah e "realizarem atentados contra diversos alvos, tais como o
STF, Congresso Nacional e Abin, além de orientações para novos
recrutas se juntarem ao Daesh na Síria".
Antes de ser denunciado, um dos investigados chegou a depor
à Polícia Federal e afirmou manter contato com outro integrante
para realizarem um atentado no Brasil, "utilizando-se de
explosivos" e confirmou que havia tratativas para criarem uma
céluila do EI no país. Disse ainda que outro amigo virtual
pretendia tirar passaporte e viajar para a Síria a fim de se
juntar ao EI.
Em outra apuração feita pela PF, um dos denunciados que se
disse ser apoiador do grupo terrorista Al-Qaeda, chegou a ter
armas de fogo artesanais em sua casa, algumas delas
comprovadamente funcionais.
Ao todo, o MPF denunciou no final de abril 11 brasileiros
sob a acusação de tentarem promover o EI e buscarem recrutar
brasileiros. Há cinco integrantes que também respondem pelo
crime de corrupção de menores, por buscarem recrutar pessoas com
menos de 18 anos.
A acusação tem como base informações obtidas a partir das
quebras dos sigilos de dados, telemático e telefônicos, entre
integrantes do grupo, interceptadas pela PF com autorização
judicial. A peça é resultado da Operação Átila, da PF, que
correu em sigilo até março. Ao menos sete pessoas foram detidas
desde outubro e outras deram depoimento após condução
coercitiva.
A denúncia já foi aceita pela Justiça Federal em Goiás, o
que significa que todos já respondem a processo judicial na
condição de réus. Dois deles permanecem presos preventivamente.
Para o procurador da República Divino Donizette da Silva,
que assina a denúncia, o conteúdo obtido a partir dos dados
sigilosos demonstra situações que vão além da exaltação e
celebração dos atos terroristas já realizados em todo o mundo e
postagens de informações sobre execuções públicas.
Ele disse que atinge a discussão sobre possíveis alvos de
ataques que eles poderiam realizar no Brasil, locais para
instalação e treinamento de grupo armado, com a orientação sobre
a fabricação de bombas caseiras, a utilização de armas brancas e
aquisição de armas de fogo para conseguir esse objetivo.
"Tais condutas, amoldam-se perfeitamente no art. 3º da Lei
nº 13.260/16, na modalidade de “promoção”, que deve ser
entendido como o ato de difundir, fomentar, encorajar,
estimular, impelir, impulsionar, incentivar, instigar ou motivar
atos de organização terrorista", afirmou o integrante do MPF.

(Por Ricardo Brito
Edição de Maria Pia Palermo)
(([email protected]; +55 21 5644-7505;
Reuters Messaging:
[email protected]))

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