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(Texto atualizado com mais informações)
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 21 Nov (Reuters) – Um impasse que opõe os
interesses da bancada do PMDB com os partidos do chamado centrão
pelo comando da Secretaria de Governo pode fazer com que o
presidente Michel Temer desista, ao menos durante as negociações
em torno da votação da nova reforma da Previdência, de trocar o
titular do cargo e mantenha, por ora, o tucano Antonio Imbassahy
no posto.
Por um lado, segundo duas fontes, os peemedebistas
afunilaram a escolha entre três nomes e decidiram indicar o
vice-líder do partido Carlos Marun (MS) para o ministério. Ele é
um dos que preencheriam o pré-requisito estipulado pelo governo
de não concorrer nas eleições do próximo ano. Segundo uma das
fontes, o nome dele –um dos principais defensores do governo–
já chegou a Temer.
Por outro lado, líderes de partidos do centrão, segundo uma
das fontes, passaram a defender que o melhor seria manter
Imbassahy no cargo sob o argumento de que a entrega da pasta ao
PMDB poderá surtir o efeito contrário ao desejado: desequilibrar
a base aliada no momento em que o governo busca votos para
aprovar a nova versão da reforma da Previdência.
Um auxiliar do presidente admitiu, reservadamente à Reuters,
que a situação é complicada. "Há resistências de partidos da
base ao fortalecimento do PMDB no Palácio (do Planalto)", disse.
O partido já comanda as duas principais pastas palacianas, com
Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral
da Presidência).
Dessa forma, Imbassahy poderá ficar até, pelo menos, o
início de abril de 2018, prazo que ministros terão para deixar
os cargos se quiserem concorrer nas eleições de outubro. Ou até
mesmo sair do cargo antes ou depois do desembarque do PSDB do
governo, previsto para ocorrer daqui a pouco mais de duas
semanas.
"Para mim, não altera nada (o Imbassahy ficar). O presidente
gosta dele", disse um dos líderes do centrão à Reuters, que
pediu para não ser identificado.
"Ele ficaria na cota pessoal do Temer", completou essa
liderança, ressalvando, entretanto, que o atual ministro não
conversa com boa parte da base e garante nenhum voto na eventual
votação da reforma.
Por trás dessa avaliação, está uma disputa velada na base
cujo centrão –partidos médios como PP, PR, PTB e PSC– não
querem fortalecer o PMDB na dança de cadeiras da Esplanada.
Nos últimos dias, o presidente tentou fechar as negociações
em torno da reforma ministerial pontual que pretendia promover
principalmente em relação aos cargos comandados pelo PSDB, que
deverá desembarcar do governo no dia 9 de dezembro.
A pretensão do governo, segundo uma fonte ligada a Temer,
seria anunciar as duas principais mudanças na Esplanada já na
quarta-feira, dia da esperada apresentação do novo texto da
reforma da Previdência pelo relator, deputado Arthur Maia
(PPS-BA): a ida de Alexandre Baldy (sem partido-GO) para o
Ministério das Cidades, com o aval do PP –provável destino
partidário dele– e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ); e a eventual mudança na Secretaria de Governo.
Mas a disputa desses partidos deve fazer com que apenas a
troca nas Cidades ocorra por enquanto, uma vez que a posse de
Baldy está prevista para a tarde desta quarta-feira.
Há quem afirme abertamente na base aliada que, mesmo com a
minirreforma ministerial, o governo não terá votos suficientes
para aprovar a nova Previdência.
"Você acredita em aprovação da reforma? A mexida na
Esplanada não muda nada a vontade dos parlamentares. Quem vai
começar uma campanha eleitoral colocando o pescoço na forca",
disse à Reuters o líder do PR na Câmara, José Araújo (BA), para
quem é melhor deixar para fazer uma reforma para valer para o
próximo presidente, a partir de 2019.
No início da tarde, o presidente do PMDB e líder do governo
no Senado, Romero Jucá (RR), defendeu que a bancada do PMDB seja
consultada na escolha do novo ministro da Secretaria de Governo
e que vai indicar um nome de "consenso" para aprovar a reforma.
"É importante que a Câmara possa opinar e terá um nome de
consenso que vai poder ajudar a construir essa nova votação da
Previdência", disse.
Por sua vez, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência,
Moreira Franco, garantiu que o governo vai ter os votos
suficientes para aprovar a nova versão da reforma da Previdência
na Câmara até o final do ano. Ele disse, entretanto, que a
aprovação da proposta não depende "necessariamente" de uma
reforma ministerial.
"Mas evidentemente as coisas todas andam juntas. Nós
precisamos criar condições para ter uma maioria parlamentar
tanto na Câmara quanto no Senado comprometida com determinados
objetivos de política econômica", disse Moreira.

(Edição de Eduardo Simões e Alexandre Caverni)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))

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