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(Texto atualizado com declarações e mais informações)
29 Jan (Reuters) – O presidente Michel Temer afirmou nesta
segunda-feira, em entrevista à rádio Bandeirantes, que gostaria
que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputasse as
eleições de outubro e fosse derrotado no voto, alegando que uma
derrota do petista nas urnas "pacificaria" o país.
"Do ponto de vista do quadro político eu pessoalmente
apreciaria que ele não tivesse essas responsabilizações todas,
pudesse disputar a eleição e fosse vencido no voto. Isso
pacificaria o país. Essa fórmula da sua não participação,
tensiona o país", defendeu Temer.
"Eu pessoalmente penso que, do ponto de vista essencialmente
político, se ele tivesse como participar das eleições e
eventualmente ser derrotado, seria mais tranquilo."
Questionado se o ex-presidente, condenado na semana passada
em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de
dinheiro, estaria "morto politicamente", Temer avaliou que não.
Poderia, disse, estar morto "eleitoralmente", se não puder
concorrer.
"A figura dele é de muito carisma, não é sem razão que ele
ocupa as primeiras posições em toda e qualquer análise", disse.
"Dizer que a imagem dele, a palavra dele, a presença passada
dele não vai ter alguma influência, aí acho que morto ele não
está."
Ao tratar de seu governo, Temer afirmou que está satisfeito
com o que tem feito em seu governo e aproveitou sua
impolularidade –como lhe sugeriu o publicitário Nizan Guanaes–
para fazer o que considerava bom para o país.
O presidente reafirmou que não será candidato à reeleição e
apenas em maio deixará claro quem irá apoiar. "Eu quero alguém
que defenda meu legado", disse.
Temer reclamou novamente do que diz ter sido uma campanha
pessoal contra ele e disse que irá dedicar os seus últimos seis
meses de governo a recuperar sua imagem
"Fui desmoralizado por alguns embates de natureza moral.
Nesses 6 meses vou me dedicar à recuperação dos meus aspectos
morais. Não vou admitir mais que digam presidente trambiqueiro,
que fez falcatruas", reclamou.
Temer disse ainda que não se arrependeu em momento algum de
ter apontado a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o
Ministério do Trabalho e criticou a interferência do Judiciário
em decisões do Executivo.
"A Constituição determina não só independência dos Poderes
mas sua harmonia. Eu prezo a separação dos Poderes. A
competência de nomear ministros é do presidente", afirmou. "Eu
serei respeitoso com a independência e harmonia dos Poderes. Se
no final o Judiciário disser que não pode, tudo bem. Mas eu
creio que seria de bom tom que tivéssemos essa vitória, que não
é do governo, mas do sistema jurídico."
Cristiane Brasil foi indicada no dia 3 de janeiro, mas foi
impedida de tomar posse por uma liminar do juiz Leonardo
Couceiros, da Justiça Federal em Niterói. Desde então, o governo
sofreu uma série de derrotas e ainda não conseguiu empossar a
deputada.
No último revés, depois de a liminar ser derrubada no
Superior Tribunal de Justiça, a presidente do Supremo Tribunal
Federal, Cármen Lúcia, revogou a decisão afirmando que a
prerrogativa sobre o caso é do STF.
O governo quer a deputada, indicada por seu pai, o
presidente do PTB, Roberto Jefferson, para garantir os cerca de
15 votos prometidos por Jefferson para reforma da Previdência.

(Por Lisandra Paraguassu; Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 55 21 2223-7128; Reuters
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