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(Texto atualizado com mais detalhes)
Por Blanca Rodríguez e Sonya Dowsett
MADRI/BARCELONA, 11 Out (Reuters) – O primeiro-ministro da
Espanha, Mariano Rajoy, deu ao governo da Catalunha nesta
quarta-feira oito dias para desistir de sua iniciativa de
independência, caso contrário suspenderá a autonomia política da
região e a governará diretamente.
A medida pode aprofundar o confronto entre Madri e a região
do nordeste espanhol, mas também sinaliza uma saída para a maior
crise política do país desde o golpe militar fracassado de 1981.
Rajoy provavelmente convocaria uma eleição regional
antecipada depois de acionar o artigo 155 da Constituição, que
lhe permitiria demitir o governo regional catalão.
O líder catalão, Carles Puigdemont, emitiu uma declaração de
independência simbólica na noite de terça-feira, mas
imediatamente a suspendeu e pediu negociações com Madri.
"O gabinete concordou nesta manhã em requerer formalmente ao
governo catalão que confirme se declarou a independência da
Catalunha, independentemente da confusão deliberada criada com
sua entrada em vigor", disse Rajoy em um discurso televisionado
depois de uma reunião de gabinete convocada para estudar a
resposta do governo central.
Mais tarde ele disse ao Parlamento espanhol que o governo da
Catalunha tem até as 10h locais da segunda-feira que vem para
responder. Se Puigdemont confirmar que declarou a independência,
terá até as 10h do dia 19 de outubro para retificar a ação. Sem
isso, o artigo 155 será acionado.
Ainda não ficou claro se o governo catalão responderá à
exigência, mas agora ele enfrenta um dilema, dizem analistas.
Se Puigdemont disser que proclamou a separação, Madri
intervirá. Se disser que não o fez, o partido de
extrema-esquerda CUP provavelmente retirará seu apoio ao governo
de minoria do líder.
"Rajoy tem dois objetivos: se Puigdemont continuar ambíguo,
o movimento pró-independência ficará mais fragmentado; se
Puigdemont insistir em defender a independência, Rajoy poderá
aplicar o artigo 155", disse Antonio Barroso, vice-diretor da
empresa de pesquisa Teneo Intelligence, sediada em Londres.
As apostas são altas, já que perder a Catalunha, que tem
língua e cultura próprias, privaria a Espanha de um quinto de
sua produção econômica e mais de um quarto de suas exportações.
Era grande a expectativa de que Puigdemont declararia a
independência catalã unilateralmente na terça-feira, depois de o
governo regional dizer que 90 por cento dos catalães votaram
pela secessão em um referendo de 1ª de outubro. As autoridades
de Madri declararam a consulta ilegal e a maioria dos
adversários da separação a boicotou, reduzindo o comparecimento
a cerca de 43 por cento.
Um porta-voz do governo catalão em Barcelona disse nesta
quarta-feira que, se Madri acionar o artigo 155, a região
seguirá em frente com medidas visando a criação de um Estado
próprio.
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447505))
REUTERS MPP


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