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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

(Texto atualizado com informações de entrevista coletiva)
Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO, 3 Mai (Reuters) – Aos menos 33 pessoas
ligadas a uma rede de doleiros que movimentaram 1,6 bilhão de
dólares desde 2007 dentro e fora do Brasil foram presos nessa
quinta-feira pela Polícia Federal e Ministério Público na
operação para cumprir 53 mandados de prisão em vários Estados e
no exterior.
Para o Ministério Público, a operação desta quinta-feira é a
maior dos últimos anos na área de evasão de divisas e lavagem de
dinheiro.
“Essa é a maior operação desde o escândalo do Banestado… é
um material explosivo e temos um material bem robusto. Esperamos
desdobramentos da operação de hoje”, afirmou o procurador
federal Eduardo El Hage.
Os mandados de prisão estão sendo cumpridos desde cedo no
Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul,
Distrito Federal e também no Uruguai. Agentes da polícia federal
do Paraguai, também colaboram com as investigações já que um dos
principais investigados, o doleiro Dario Messer (também chamado
de “o doleiro dos doleiros") tem dupla cidadania, brasileira e
paraguaia.
Segundo as autoridades, a chamada operação "Câmbio, Desligo"
visa desarticular uma organização criminosa especializada em
crimes financeiros e evasão de divisas responsável por uma
complexa estrutura de lavagem de dinheiro envolvendo diversos
países.
Os mandados foram solicitados pelo MPF e expedidos pelo
Juízo da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
As investigações tiveram como ponto de partida as delações
de dois doleiros que atuaram para o esquema de corrupção e
propina montado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Vinicius
Claret, conhecido como Juca Bala, e Cláudio Barboza, o Tony,
ficaram presos por 1 ano e 2 meses, e, coincidentemente foram
soltos nessa quinta-feira.
As apurações revelaram que para movimentar um grande volume
de recursos, cerca de 1,6 bilhão de dólares desde 2007, os
doleiros precisaram criar uma rede no Brasil e no exterior para
atender à demanda de quem precisava pagar ou receber propina.
Os procuradores federais envolvidos na "Câmbio, Desligo"
citaram que alguns dos doleiros presos nessa quinta-feira
atuaram para o ex-governador Sérgio Cabral, para empreiteiras,
entre elas a Odebrecht, e para a JBS .
“A operação abre porta para entrarmos num universo
desconhecido. Entramos numa primeira camada mas há outras
camadas… podem ter outros políticos, outros empresários
envolvidos, exportadores, tráfico de drogas e armas. Vamos nos
esforçar para chegar lá“ , disse o procurador federal Rodrigo
Timóteo.
Os procuradores destacaram que até agora todas as operações
da Lava Jato no Rio de Janeiro mapearam 100 milhões de dólares
que pertenceriam ao ex-governador Sérgio Cabral. Mas, como o
esquema descoberto na operação "Câmbio, Desligo" é da ordem de
1,6 bilhão de dólares, outros envolvidos podem ser descobertos
em breve.
Os doleiros montaram uma espécie de banco informal para
receber os recursos ilegais, movimentá-los e prestar contas a
quem fazia uso desse sistema. O bankdrop movimentou recursos de
mais de 3 mil empresas offshore que tinham contas em 52 países.
"Os doleiros tinham uma espécie de Câmara de Compensação. O
Juca e O Tony juntavam a demanda de dólar no exterior e no
Brasil. Mas era tanto dinheiro que eles precisavam de uma rede
complexa de doleiros para movimentar dinheiro lá fora e gerar
reais aqui dentro no Brasil. Eles uniam as duas pontas da
corrupção“, explicou Timóteo.
”Eles tinham dois sistemas, o ST que era uma espécie de
conta corrente dos clientes do esquema. Ali os envolvidos podiam
ver créditos, débitos e saldo das operações financeiras. Havia
ainda uma sistema de bankdrop que servia de controle para as
transferências internacionais que eram feitas, como se fosse um
balanço de TEDs E DOCs”, adicionou
Além das prisões, a Justiça, a pedido do MPF, determinou o
bloqueio de 7,5 bilhões de reais dos envolvidos no esquema como
forma de ressarcimento aos prejuízos causados.
Pela primeira vez, uma entrevista sobre uma operação da Lava
Jato no Rio de Janeiro não contou com a presença da PF e não foi
realizada na sede da instituição policial. Segundo procuradores,
a ordem para que a coletiva não ocorresse na sede da PF veio de
Brasília.
Os procuradores disseram que apesar do trabalho em sintonia
com a PF acreditam que a divulgação dos dados e das operações é
uma prestação de contas que todos servidores públicos deveriam
fazer

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 5511 56447702; Reuters
Messenger: [email protected]))

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