Clicky

MetaTrader 728×90

(Repete texto publicado na noite de quarta-feira)
Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 14 Fev (Reuters) – A Comissão de Ética Pública da
Presidência da República pode analisar já na próxima
segunda-feira o caso do diretor-geral da Polícia Federal,
Fernando Segovia, que indicou, em entrevista à Reuters, a
tendência de arquivamento do inquérito dos portos, em que o
presidente Michel Temer é investigado.
Segundo o presidente da comissão, Mauro Menezes, pelo cargo
que ocupa Segovia está na alçada da comissão, que pode abrir uma
investigação sobre a possibilidade de uma infração ética ou por
denúncia ou mesmo por conta própria.
"O colegiado da comissão faz toda semana uma análise de
conjuntura e, se avaliar que existe a possibilidade de uma
infração ética, abrir um processo de ofício, mesmo que não haja
uma denúncia", disse Menezes à Reuters.
Se houver uma denúncia, no entanto, o processo precisa ser
imediatamente aberto e um relator já deverá ser sorteado na
próxima reunião do colegiado. Dois deputados, Ivan Valente
(PSol-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP), já avisaram que devem
representar contra o diretor-geral da PF.
Na entrevista à Reuters, o diretor-geral da PF disse que até
o momento não há indício de crime contra Temer e ainda sugeriu
que o delegado responsável pelo caso, Cleyber Malta Lopes, pode
ser alvo de investigação interna pelas perguntas que ele fez ao
presidente.
"No final a gente pode até concluir que não houve crime.
Porque ali, em tese, o que a gente tem visto, nos depoimentos as
pessoas têm reiteradamente confirmado que não houve nenhum tipo
de corrupção, não há indícios de realmente de qualquer tipo de
recurso ou dinheiro envolvidos. Há muitas conversas e poucas
afirmações que levem realmente a que haja um crime", disse
Segovia na entrevista de sexta-feira.
Nesta quarta-feira, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
entrou com uma ação popular com pedido de liminar pedindo o
afastamento do diretor-geral da PF por causa das declarações
feitas à Reuters.
Randolfe pede que Segovia seja afastado do cargo
liminarmente e que, posteriormente, sua nomeação seja cancelada.
O senador pede ainda que, se isso não for feito, seja
determinado a Segovia que não abra qualquer procedimento
administrativo contra o delegado do caso.
O senador quer ainda que Cleyber seja ouvido para dizer se
houve alguma influência do diretor-geral na investigação.
"Temos como certa a configuração de atos lesivos ao
interesse público que, a um só tempo, desviam a finalidade do
exercício do poder disciplinar do diretor da Polícia Federal em
relação ao exercício funcional dos delegados, que devem
desempenhar autonomamente suas funções, livres de quaisquer
pressões, e afigura-se violadores do preceito constitucional da
legalidade, já que o sr. diretor se manifesta pública e
indevidamente sobre inquérito ainda não finalizado e
potencialmente divulga informações sigilosas sobre o andamento e
desenvolvimento de tais investigações, a que tem acesso em razão
do cargo", diz a ação.
Mais cedo, o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) anunciou
que vai apresentar na próxima segunda-feira um requerimento na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para convocar
Segovia, a fim de que ele explique as declarações.
O deputado disse que, caso Segovia não atenda o
requerimento, vai pedir a convocação do ministro da Justiça,
Torquato Jardim, superior hierárquico do diretor-geral da PF, a
fim de "tentar desfazer o mal-estar" pelas declarações.

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Assuntos desta notícia

Join the Conversation