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(Texto atualizado com declarações do presidente do PTC)
Por Eduardo Simões
SÃO PAULO, 19 Jan (Reuters) – O senador Fernando Collor
(PTC-AL), que foi presidente da República entre 1990 e 1992,
lançou nesta sexta-feira sua pré-candidatura à Presidência para
preencher um "vazio" no centro do espectro político do país,
disseram o parlamentar e o presidente de seu partido, o PTC,
Daniel Tourinho.
Em entrevista à rádio 96 FM, de Arapiraca, no interior de
Alagoas, Collor disse, entretanto, que a candidatura é uma
possibilidade que precisará ser ou não confirmada no futuro.
"Eu acho que o centro democrático desse país está sem
candidaturas que possam representar esse sentimento e essa
vontade da população brasileira de ter um candidato à
Presidência da República que não esteja nos extremos", disse
quando indagado sobre a possibilidade de ser novamente
candidato.
"Esse centro está muito vazio e eu acredito que, por que não
poder postular em nome do Partido Trabalhista Cristão uma
candidatura à Presidência da República?", disse.
"É uma possibilidade. Naturalmente que o futuro irá
confirmar, ou não, essa disposição já, como eu disse em outras
oportunidades, que uma candidatura à Presidência da República, e
a eleição de um presidente da República, é muito mais obra do
destino do que propriamente do desejo da pessoa."
A pré-candidatura foi confirmada à Reuters por Tourinho, que
afirmou que o lançamento foi bem recebido e que já recebeu
diversos telefonemas de apoio à candidatura de Collor.
"O centro está órfão", avaliou Tourinho, para quem os nomes
colocados até agora como candidatos de centro não tem a
"empatia" que Collor tem com a população.
"O pontapé inicial foi dado hoje. Agora temos que esperar o
fim do recesso (parlamentar) para ver qual será a reação",
respondeu quando indagado sobre possíveis alianças para
alavancar a candidatura do ex-presidente.
Collor foi eleito presidente em 1989, na primeira eleição
presidencial direta desde 1960, mas sofreu um processo de
impeachment em 1992 que o tirou do cargo em meio a um escândalo
de corrupção envolvendo o tesoureiro de sua campanha, Paulo
César Farias, morto anos depois.
Posteriormente, Collor foi absolvido em processos no Supremo
Tribunal Federal (STF). Ele afirma ter sido injustiçado no
processo de impeachment.
O senador, que também já foi governador de Alagoas, é réu no
STF em uma ação penal ligada à operação Lava Jato, acusado dos
crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização
criminosa. Collor afirmou que, como ocorreu no passado, terá a
oportunidade de provar sua inocência.
Indagado sobre as acusações que pesam contra Collor,
Tourinho afirmou acreditar "piamente" na absolvição do senador.
O anúncio de Collor de que está disposto a ser novamente
candidato à Presidência coloca mais um nome em uma ampla lista
de potenciais candidatos ao Palácio do Planalto na eleição deste
ano, casos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do deputado
Jair Bolsonaro (PSC-RJ) — que deve se filiar ao PSL para se
candidatar –, do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD),
do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), da ex-ministra Marina Silva
(Rede) e do senador Álvaro Dias (Podemos-PR).
Entre outros nomes ventilados como possíveis candidatos,
estão o do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do
apresentador Luciano Huck, do presidente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de
Castro, e do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB).

(Edição Alberto Alerigi Jr.)
(([email protected]; 55 11 5644 7759; Reuters
Messaging: [email protected]))

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