Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

(Texto atualizado com mais informações)
Por Iuri Dantas e Carolina Mandl
SÃO PAULO, 4 Mai (Reuters) – O Banco Central decretou nesta
sexta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Neon por
comprometimento da situação econômica-financeira e violações às
normas legais e suspendeu as operações de uma fintech associada
a ele que anunciou na véspera acordo para aporte de 22 milhões
de dólares em capital de risco.
A Neon Pagamentos SA – uma startup de tecnologia financeira,
ou fintech, que usava a infraestrutura do Banco Neon para
processar contas correntes – não foi liquidada e não possui
problemas, informou o Banco Central.
No entanto, a fintech foi proibida de abrir novas contas,
informou o BC, acrescentando que os clientes da Neon Pagamentos
podem usar o saldo disponível em seus cartões pré-pagos até o
final do crédito, mas não podem depositar novos valores. O
sistema da fintech vem funcionando normalmente nesta
sexta-feira, informou o BC.
Os valores creditados nestes cartões pré-pagos somam cerca
de 20 milhões de reais e ficam depositados no próprio BC,
informou a autoridade monetária, por isso os recursos não são
contabilizados como parte dos ativos do Banco Neon no processo
de liquidação da instituição.
A fintech também usava o Banco Neon para cerca de mil contas
de depósitos de seus clientes, cujos valores serão apurados pelo
liquidante do banco e ressarcidos pelo Fundo Garantidor de
Crédito (FGC) até o limite de 250 mil reais, informou o BC. Os
valores dos depósitos eram pequenos e giravam entre 100 e 150
reais, de acordo com o BC.
"O Banco Neon atuava desde 1994 e foi liquidado por outras
irregularidades que não têm nada a ver com os produtos do Neon
Pagamentos", informou o BC.
Para retomar suas operações a Neon Pagamentos precisará
fechar um novo acordo profissional com uma ou mais instituições
financeiras, que substituirão o Banco Neon na emissão de cartões
e abertura de contas. Os clientes não devem perceber diferenças,
porque continuarão usando a plataforma digital da fintech.
Os acionistas controladores do Banco Neon detêm participação
de menos de 20 por cento na Neon Pagamentos, disse o Banco
Central.
Na quinta-feira, a Neon Pagamentos informou que arrecadou 22
milhões de dólares, em um aporte que contou com participação dos
investidores Propel Venture Partners, Monashees, Quona Capital,
Omidyar Network, Tera e Yellow Ventures.
O Banco Neon não respondeu a pedidos de comentários. O site
da instituição publicou uma cópia do decreto do BC explicando
que a liquidação se deveu à situação financeira e a "graves
violações das normas legais e regulatórias". A Neon Pagamentos
não pôde ser contatada imediatamente para comentar o assunto.

MENOS DE 1%
O Banco Neon detém 0,0038 por cento dos ativos do sistema
bancário nacional e estava autorizado a operar como banco
comercial. O banco possui apenas uma agência, localizada em Belo
Horizonte.
Segundo o BC, o Banco Neon possui cerca de 200 milhões de
reais em ativos, uma carteira de crédito de cerca de 100 milhões
de reais e atua desde 1994 com foco em micro e pequenas
empresas.
"Cabe registrar que as irregularidades encontradas no Banco
Neon não estão relacionadas com a abertura e movimentação de
conta digital ou com a emissão de cartões pré-pagos, objeto de
acordo operacional com a Neon Pagamentos", disse o BC.
O BC identificou "graves violações às regras do Conselho
Monetário Nacional" pelo Banco Neon, razão pela qual decretou a
liquidação.
"Diferentemente de outros casos, que têm solução de mercado,
não adiantava o BC agir de outra forma", informou o BC. "O BC
não tem tolerância com algumas irregularidades… o banco foi
liquidado até para evitar prejuízos a outros possíveis
credores."
A Neon Pagamentos, que afirma ter 600 mil usuários no Brasil
e 190 funcionários, lançou um cartão de crédito no mês passado e
transferiu seu controle acionário para uma holding britânica não
especificada como parte da rodada de captação de recursos,
segundo comunicado anterior à imprensa.
A intervenção do BC no Neon ressalta uma situação delicada
para as nascentes fintechs brasileiras, que têm lidado com uma
regulamentação mínima do BC nos últimos anos, mas muitas vezes
dependem da infraestrutura de pequenos bancos que sofrem o exame
minucioso da autoridade monetária.
As units do Banco Inter , um banco digital
sediado também em Belo Horizonte e que ingressou na bolsa no mês
passado, chegaram a recuar quase 10 por cento na bolsa paulista
nesta sexta-feira.
Às 13:25, os papéis do Banco Inter tinham baixa de 6,5 por
cento, também influenciados por notícia do blog TecMundo de que
dados de clientes da instituição vazaram. Consultado pela
Reuters, o banco disse que foi vítima de tentativa de extorsão e
que imediatamente constatou que não houve comprometimento da
segurança no ambiente externo e nem dano à sua estrutura
tecnológica.
((Edição Redação São Paulo, +5511 5644 7719))
REUTERS AAJ

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Assuntos desta notícia