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Apesar de intervenção do BACEN, dólar continua em disparada

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Mercados de risco no Brasil à beira de um taque de nervos. O dia foi de pura tensão, mesmo com o Bacen fazendo intervenção no mercado de câmbio com operações de swap e o tesouro fazendo venda de títulos compromissada para tentar segurar os juros mais longos. O Bacen anunciou 40.000 contratos de swap equivalente a US$ 2,0 bilhões e as compromissadas para 90 dias no montante de R$ 10 bilhões (pequeno).

Apesar disso, os juros estressaram com altas para todos os vencimentos e batendo limites de oscilação. O Tesouro Direto suspendeu operações diante da forte volatilidade. No câmbio, o dólar beirou os R$ 4,00, atingindo R$ 3,97. Muito estresse na Bovespa que chegou a cair mais de 6,0%, com a mínima em pontos atingindo 71.161 pontos.

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A incerteza política e deterioração fiscal fizeram parte do cardápio e investidores passaram a zerar posições, ao mesmo tempo em que operavam câmbio. Especificamente na área fiscal não se enxerga qualquer sinal de melhora, muito ao contrário. É cada vez mais difícil prever o encerramento do ano fiscal sem problemas e pior ainda para 2019. Algumas receitas que o governo contava podem não ocorrer como a cessão onerosa (leilão de excedente) e privatização de Eletrobras.

Tentando acalmar, o ministro Eduardo Guardia, falou sobre monitoramento de câmbio e juros e a ação integrada entre Banco Central e Tesouro. Acrescentou que o fundamental é avançar no que é realmente relevante e evitar turbulências. Hoje foi dia típico de turbulência, mas não pode ser caracterizado como ataque especulativo. Porém, aparentemente os investidores não querem mais operações de swap e o Bacen poderia mudar o arsenal de armas. Petrobras, Vale e bancos puxaram as quedas na Bovespa, mas todo o mercado esteve em queda.

No cenário externo, o dia foi também tenso, mas nem de longe comparável com o Brasil. Logo cedo, a Turquia anunciou nova alta de juros para 17,75% (+1,25%) e a lira turca teve momentos de recuperação. O México pode ir na mesma direção, ele que passa por eleição complicada com populista quase eleito.

Trump manteve encontro com o primeiro ministro do Japão para conversar sobre comércio entre os dois países e encontro com a Coreia do Norte. O noticiário dá conta que a reunião foi proveitosa e Japão e Coreia do Sul prometeram ajudar economicamente a Coreia do Norte. Porém, Kim Jong-Un terá que abandonar programa nuclear. O encontro está previsto para o dia 11 de junho.

Na sequência dos mercados, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 1,88%, com o barril cotado a US$ 65,95. O euro era transacionado em alta de 2,93% para US$ 1,181 e notes americanos de dez anos com taxa de juro de 2,93%, em queda. O ouro estável e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas em queda na bolsa de Chicago.

No cenário local, a inflação medida pelo IGP-DI de maio subiu para 1,64% (anterior em 0,93%), acumulando no ano inflação de 3,91% e em 12 meses com 5,20%. O CDS (Credit Default Swap) do Brasil subiu como esperado diante das pressões para próximo de 250 pontos. Na sequência dos mercados, os DIs fechando com forte alta e dólar terminando o dia em R$ 3,91, alta de 2,0% na máxima
De R$ 3,97.

Na B3, na sessão de 05 de junho, os investidores estrangeiros alocaram recursos de R$ 19,4 milhões, deixando o saldo negativo de junho em R$ 2,05 bilhões e o ano com saídas líquidas de
R$ 6,06 bilhões. No mercado acionário, dia de queda da bolsa de Londres de 0,10%, Paris com -0,17% e Frankfurt com -0,15%. Madri em alta de 0,38% e Milão com -0,18%. No mercado americano, Dow Jones em alta de 0,37% e Nasdaq em queda de 0,70%. Na B3, dia de queda de 2,98% e índice em 73.851 pontos, com variação da ordem de 5.000 pontos no dia.

Na agenda de amanhã, o IPC-S da primeira quadrissemana de junho e o IPCA fechado de maio. Nos EUA, nenhum indicador de expressão e, durante a noite, a China anuncia a inflação de maio.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Sócio e Economista-Chefe modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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