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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Lisandra Paraguassu
LIMA, 13 Abr (Reuters) – Apesar da pressão da oposição
venezuelana, o governo brasileiro não deve aderir ao processo de
sanções contra indivíduos, mas levanta informações sobre
possíveis crimes cometidos por pessoas ligadas ao governo do
presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no Brasil para agir, se
for o caso, disse nesta sexta-feira o ministro das Relações
Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira.
"Queremos informações dos venezuelanos de ações ilegais que
estejam ocorrendo no território brasileiro para que possamos
tomar medidas", disse o ministro, ressaltando que o país não
adotará sanções unilaterais.
"Ilegalidades, violadores de direitos humanos que sejam
sancionados por organismos internacionais, corrupção,
movimentação clandestina de dinheiro, para que a gente possa
tomar medidas dentro da legislação brasileira", disse.
Aloysio teve um encontro na manhã desta sexta-feira, em
Lima, com líderes da oposição venezuelana, como o ex-prefeito de
Caracas Antonio Ledezma e o deputado e ex-presidente da
Assembleia Nacional Julio Borges.
Sem Maduro presente à Cúpula das Américas, a oposição
venezuelana trabalha para pressionar os países da região a
aumentarem as sanções contra o regime chavista. Na agenda,
encontros com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, e o
vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.
Em um documento entregue à Cúpula e ao Congresso peruano, os
oposicionistas pedem o aumento de sanções contra chavistas –
congelamento de contas, expulsão de familiares que estejam em
outros países e o não reconhecimento das eleições presidenciais
marcadas para o dia 20 de maio.
Apesar do discurso forte contra o governo de Maduro, o
Brasil não deverá adotar as sanções pedidas pela oposição
venezuelana.
"Nós não temos sanções unilaterais na prática brasileira.
Nós só aplicamos sanções dentro de organismos multilaterais",
esclareceu o ministro.
Ainda assim, o governo brasileiro está fazendo um pente fino
em movimentações financeiras que podem ser consideradas
suspeitas e em movimentos de venezuelanos no Brasil para agir
caso sejam detectadas irregularidades. Ledezma confirmou que irá
ao Brasil no próximo dia 27 levar informações ao governo
brasileiro.
"Não estamos pedindo sanções contra nosso país, mas contra
pessoas específicas. Há pessoas que estão envolvidas com
corrupção, com violação de direitos humanos. Vamos ao Brasil
levar informação, documentos", disse Ledezma.
Os venezuelanos também querem o reconhecimento da situação
de emergência humanitária do país e a criação de um fundo para
tratar dos refugiados. Segundo contas de organismos
internacionais, cerca de 1 milhão de pessoas já deixaram o país.
Segundo Aloysio, a criação de um fundo multilateral está
sendo discutido, mas ainda em estágios iniciais.

GRUPO DE LIMA
Sem consenso entre os 35 países, especialmente sobre a
situação venezuelana, a Cúpula das Américas terminará sem uma
declaração final, mas o chamado Grupo de Lima prepara um texto
condenando, mais uma vez, a Venezuela.
"Haverá uma declaração do Grupo de Lima, aberto a outros que
queiram se manifestar na mesma linha. Há um documento que foi
objeto de consenso no grupo e está aberto a subscrição de
outros", disse Aloysio.
O texto inclui uma condenação à eleição, declara o não
reconhecimento do pleito e faz um apelo para que o governo de
Maduro reconheça a legitimidade da Assembleia Nacional.
O governo peruano negocia com países além dos 14 do grupo de
Lima — Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica,
Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Guiana e
Santa Lucia– a adesão de outros à declaração.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Edição de Eduardo Simões)
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