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Por Marius Zaharia
HONG KONG, 13 Abr (Reuters) – Com crescente investimento em
pesquisa e a expansão no ensino superior, a China está reduzindo
rapidamente a distância em relação aos Estados Unidos em
propriedade intelectual, na luta para ser a maior potência
tecnológica do mundo, disseram especialistas em patentes.
Embora a ameaça de tarifas punitivas do presidente dos EUA,
Donald Trump, sobre às importações de alta tecnologia da China
possa desacelerar o ímpeto de Pequim, isso não vai reverter a
maré, dizem eles. A alegação de Washington de que a China se
envolveu com roubo de propriedade intelectual durante muitos
anos – o que é negado por Pequim – é uma razão central para o
agravamento do conflito comercial entre os EUA e a China.
As previsões de quanto tempo levará para que Pequim fechar o
hiato tecnológico variam, embora vários especialistas em
patentes afirmem que isso pode acontecer na próxima década. E a
China já está avançando em algumas áreas.
"Com o número de cientistas que a China está treinando a
cada ano, eventualmente, alcançará, independentemente do que os
EUA fizerem", disse David Shen, diretor de propriedade
intelectual na China da firma de advocacia Allen & Overy.
De fato, os advogados de patentes veem a promessa do
presidente Xi Jinping no início desta semana de proteger os
direitos de propriedade intelectual de estrangeiros como uma
projeção da confiança na posição chinesa como líder inovadora em
setores como telecomunicações e pagamentos online, bem como sua
capacidade de recuperar terreno em outras áreas.
No ano passado, a China superou o Japão como segundo
colocado no mundo em patentes, com crescimento anual de 13,4 por
cento, de acordo com a World Intellectual Property Organization.
Se mantido, o ritmo levará a China a superar os EUA em pouco
mais de um ano, um forte indício de suas ambições.
Esse progresso foi construído em fundações que provavelmente
se fortalecerão ainda mais.
A China gasta hoje 2,1 por cento de seu Produto Interno
Bruto em pesquisa e desenvolvimento, ainda atrás dos 2,75 por
cento dos EUA, mas um aumento notável ante apenas 0,7 por cento
nos anos 1990 e se aproximando da média de 2,35 por cento entre
os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE).
Dados do Banco Mundial mostram que a China agora produz
1.177 pesquisadores por cada milhão de habitantes, três vezes o
nível dos anos 1990 e em linha com a média mundial. Os EUA
produzem muito mais pesquisadores por milhão – 4.321 -, mas isso
é mais do que compensado pela população da China, cerca de
quatro vezes maior.
E o número de pesquisadores chineses só vai aumentar.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco), a China agora tem mais de 40 por
cento de seus alunos matriculados em cursos técnicos e
superiores, metade da percentagem dos EUA, mas um aumento
impressionante de 0,1 por cento na década de 1970.
"Se você olhar para 5-10 anos, verá um campo de atuação
muito mais nivelado em termos de inovação, especialmente em
plataformas online, inovação digital, aprendizado de máquina e
inteligência artificial", disse Richard Titherington, diretor de
investimentos para mercados emergentes asiáticos do JP Morgan
Asset Management, que administra 80 bilhões de dólares.
Titherington disse que os pagamentos online são o exemplo
mais claro de que a China ultrapassou os EUA, com os telefones
celulares substituindo cartões de crédito quase inteiramente
como forma de pagamento nas principais cidades chinesas,
enquanto "muitos norte-americanos ainda usam cheques".
Ele disse que os mercados de ações fornecem um sinal do
progresso chinês – pelo menos aos olhos dos investidores. O
retorno total com as ações do Facebook desde sua listagem
em bolsa em 2012 foi de 373 por cento, contra 883 por cento de
seu concorrente chinês na mídia social Tencent . A ação
do Twitter caiu 28 por cento desde a sua listagem em
2014, enquanto o Weibo ganhou 656 por cento.
Especialistas em propriedade intelectual, no entanto, dizem
que a China ainda está atrasada em áreas como semicondutores,
robótica e biotecnologia.

QUESTÃO DE QUALIDADE
Os números patentes não contam toda a história. Há uma
lacuna percebida na qualidade, o que sugere que a China levará
mais tempo para recuperar o atraso.
A fabricante de smartphones Huawei HWT.UL] é a única chinesa
que chegou à lista dos 100 principais inovadores da Clarivate
Analytics em 2017, ranking baseado não apenas em volumes de
patentes, mas também na influência em outras organizações.
Em 2016, a China produziu quase 500 mil artigos científicos
de acordo com dados da empresa global de análise de informações
Elsevier, ocupando o segundo lugar globalmente e se aproximando
dos 600 mil dos EUA. A lacuna caiu pela metade em cinco anos.
Mas em média um artigo chinês recebe 0,93 citação, contra
1,23 para documentos dos EUA. Citações são uma indicação de quão
valioso o trabalho de um pesquisador é visto por seus pares.
Nessa métrica, a China está 11 lugares atrás dos EUA em 33º,
em um ranking com apenas países que publicaram mais de 10 mil
artigos. Gabriela Kennedy, chefe do propriedade intelectual da
Ásia na firma de advocacia Mayer Brown JSM, diz que isso pode
medir a qualidade do trabalho de pesquisa de cada país.
"(Os chineses) são muito bem-sucedidos no que estão fazendo
em algumas grandes empresas, mas se olhar além disso, eles não
são particularmente inovadores", disse Kennedy. "Mas eu não acho
que isso vai durar muito tempo."
Se Washington quiser desacelerar o avanço tecnológico da
China, poderá considerar medidas que restrinjam ainda mais os
produtos que as empresas norte-americanas licenciam para
empresas chinesas e ampliem as definições de segredos
comerciais, dizem os advogados.
Mas eles também alertam que regras mais duras podem ser
contraproducentes, já que as empresas podem encontrar formas de
contorná-las, incluindo a criação de entidades em jurisdições
fora dos EUA para manter o acesso ao vasto mercado chinês.

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VONTADE POLÍTICA
Xi prometeu na terça-feira que a China protegerá a
propriedade intelectual de empresas estrangeiras, dizendo que
espera que países estrangeiros façam o mesmo.
Os advogados dizem que as leis chinesas de proteção de
patentes são comparáveis ??às normas legais dos EUA e da Europa.
O problema está na implementação, com altos níveis de
burocracia, decisões judiciais regionais, e não nacionais, e
juízes geralmente com diferentes interpretações das leis.
A recente criação de um Escritório Estatal de Propriedade
Intelectual, no entanto, mostra intenção política e deve levar a
uma aplicação mais uniforme, disse Loke-Khoon Tan, chefe de IP
Practice Group em Hong Kong e China da Baker McKenzie e autor do
livro "Pirates in the Middle Kingdom: A arte da Guerra das
Marcas Registradas ".
((Tradução Redação São Paulo, +5511 5644 7719))
REUTERS RBS AAP


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