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Resumo da semana – 21 a 25/05

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Erramos na semana passada sobre as perspectivas, ao dizer que a semana poderia ser mais tranquila para os mercados de risco no mundo. Na verdade, a semana foi de pura adrenalina, tanto no mercado internacional, quanto no segmento local. Trump voltou a fazer das suas em termos de política comercial e diplomacia, enquanto no Brasil, os caminhoneiros estressaram o governo com o movimento de paralisação ocorrido.

No cenário externo, as relações comerciais voltaram a se complicar. Os encontros com os chineses da comitiva americana ainda não ficaram claros para ninguém e as sobretaxas seguem em vigor, mesmo considerando a disposição da China em reduzir carga tributária e comprar mais produtos agrícolas americanos. O mesmo acontece com a União Europeia disposta a negociar melhores condições de comércio com os EUA, e a equipe de Trump querendo estabelecer cotas reduzidas em 10% para produtos de aço e alumínio e/ou a vigência das tais sobretaxas. Trump durante a semana acenou com endurecimento nas importações de automóveis sobretaxando em 25%, o que gerou posicionamento forte da União Europeia e também do Japão, que prometeu recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Não satisfeito ainda cancelou o encontro de cúpula com Kim Jong-Un marcado para 12 de junho.

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O período embutiu ainda a divulgação da ata do FED da última reunião que manteve juros estabilizado, e os termos foram parecidos com atas anteriores mostrando que a economia segue crescendo e no pleno emprego, sem pressões inflacionárias maiores. E membros absorvendo que é possível a inflação andar acima da meta de 2,0% por algum tempo. Pela ata fica explícita a preocupação dos membros com a redução de tributos de Trump, as relações comerciais conflituosas, dólar e petróleo. Além disso, na semana vários dirigentes regionais do FED falaram, mas o discurso não endureceu. Ao contrário, presidentes regionais disseram que três altas em 2018 seriam suficientes.

A conclusão é que o FED deve elevar os juros na próxima reunião de junho e de forma gradual. Mas notamos que os agentes do mercado reduziram a probabilidade de quatro aumentos no ano. No que tange aos dados de conjuntura, os sinais são claros de que os EUA seguem crescendo e pode ir mais rápido que o PIB potencial. O índice de atividade nacional calculado pelo FED de Chicago expandiu para 0,34 pontos em abril, a atividade de Richmond subiu para 16 pontos em maio e o índice de atividade industrial PMI composto foi para o maior patamar em mais de três anos, em 55,7 pontos. Só os indicadores de vendas de casas novas e usadas é que caíram.

No Reino Unido, Theresa May segue fragilizada, mas quer adiar os termos de transição do Brexit para 2023, por conta da fronteira dura com a Irlanda. Mark Carney do BOE (BC Inglês) deixou claro que está chegando o momento de pensar em normalização da política monetária. A inflação medida pelo CPI (Consumidor) subiu 0,4% em abril e taxa anual de 2,4%. As vendas no varejo surpreenderam positivamente com expansão de 1,6%, de esperados +0,8%.

Na Alemanha, o PIB do primeiro trimestre cresceu 0,3% e taxa anual de 2,3%. A confiança do consumidor GFK encolheu para 10,7 pontos, quase dentro do esperado. O índice de atividade PMI de maio caiu para 56,8 pontos, indicando que os dados de conjuntura na Alemanha continuam fracos no curto prazo. Na zona do euro, o PMI da atividade industrial declinou para 55,5 pontos e o de serviços 53,9 pontos. A confiança do consumidor de maio caiu para -0,3 ponto, quando o previsto era +0,5 ponto.

O PIB do México no primeiro trimestre cresceu 1,3% e foi revisado para cima, e é bom comparar mesmo com o Brasil, pois eles vão passar por eleições parecidas como a nossa, onde um populista deve ser eleito. Durante o período, a lira turca foi pressionada e obrigou o banco central a elevar juros básicos para 16,5%, ampliando 3,0%. Na Itália, o partido da Liga Norte e Movimento 5 estrelas entraram em acordo, aprovaram programa de governo e indicaram o primeiro ministro. A China deve reduzir imposto para importação de veículos a partir de julho e ainda segue negociando de forma amistosa com os americanos para reduzir seu superávit comercial contra os EUA. O Japão é que questiona e deve fazer reclamação na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as imposições americanas no comércio.

Falando de Brasil, durante a semana, o Bacen divulgou a ata da reunião do Copom que manteve juros básicos estabilizado, quando o consenso era de redução de 0,25%. O Bacen fez “mea culpa” sobre a má orientação, mas alegou balanço de risco desfavorável. Os próximos passos dependem do comportamento da economia e acreditam na capacidade de absorver revés. Também explicitaram riscos com o cenário externo e vão acompanhar o repasse da alta do dólar para a inflação. Da leitura ficou a sensação que deixaram uma brecha para redução da Selic, mas isso está complicado. A leitura é que a elevações dos juros só devem acontecer para a virada do segundo semestre de 2019.

O grande problema da semana foi mesmo a paralisação do transporte pelo movimento dos caminhoneiros, com inação do governo e começo (até o fechamento deste artigo) de desabastecimento. A Petrobras foi pressionada e acabou proporcionando uma chance de trégua concedendo desconto no preço do diesel de 10% e por 15 dias. O presidente da Companhia, Pedro Parente, disse que em seguida a empresa retomaria a política de preços original e que a perda de receita seria de R$ 350 milhões. Os investidores viram nisso as pressões do governo e ficaram temerosos de passo atrás na política de combustíveis e outras mazelas. As ações da empresa tiveram forte perda na sessão de 24 de maio.

O governo fraco ficou sem ação e os políticos desandaram a fazer besteiras, visando os holofotes da campanha de reeleição. Aprovaram reoneração de 28 setores (outros 28 serão desonerados até 2021), e o presidente da Câmara acabou aprovando zeragem de PIS e Cofins. Sem fazer contas e onde seriam os cortes no orçamento. Até a cabeça do presidente da Petrobras, Pedro Parente, foi pedida pelo vice do Senado Cunha Lima. Como se a culpa fosse da Petrobras. O próprio festival de besteira que assola o país. O ministro da Fazenda, Guardia, disse não ter espaço fiscal para perder carga tributária e que cortes teriam que ser indicados pelo parlamento.

O presidente Temer indicou Henrique Meirelles para sucedê-lo como pré-candidato do MDB para presidente da república. Os demais candidatos circularam e brigaram muito também, dando o tom de como deve ser a campanha presidencial. Na área econômica, a prévia da inflação oficial pelo IPCA -15 de maio desacelerou para 0,14% (anterior em 0,21%), acumulando alta em 2018 de 1,23% e em 12 meses de 2,70%, no menor mês de maio desde 2000. O Bacen anunciou superávit em conta corrente de US$ 620 milhões e em 12 meses com déficit de US$ 8,87 bilhões (0,43% do PIB). Os investimentos diretos no país (IDP) acumulam ingressos em 12 meses de US$ 61,70 bilhões, cobrindo com enorme facilidade o déficit em conta corrente. Ocorrer que nos últimos meses vem desacelerando.

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PERSPECTIVAS

Muita coisa para ser avaliada tanto no mercado local como no internacional que influirão diretamente na precificação dos ativos. Com isso, sinalizamos que seguiremos mostrando grande volatilidade nos mercados de risco, concomitante à abertura de taxas nos títulos de vencimentos mais longo.

No cenário externo, pode ser que tenhamos acomodação nas relações comerciais com a China, já que a nova comitiva americana desembarca no país para seguir negociando. A China se mostra receptiva a reduzir o superávit que mantém contra os EUA em sua balança comercial, mas na União Europeia a situação parece mais difícil. Do lado geopolítico, tivemos perda com o adiamento do encontro de cúpula entre Trump e Kim Jong-Un, mas a Coreia do Norte, apesar do discurso mais duro, mantém postura de conversar sobre desnuclearização.

Maior problema reside na Itália, terceira maior economia da região e, a escolha do ministro da economia que ainda pode ter postura eurocética, e com isso fragilizar a união de países. Porém, vamos repetir nossa expectativa que a situação pode acalmar, restando, no entanto, as expectativas de países desenvolvidos começarem a discutir e adotar medidas para normalização da política monetária, que afeta diretamente os países emergentes, especialmente aqueles desajustados como o Brasil.

Com o movimento grevista de caminhoneiros, nossa leitura principal é de inação do governo em fim de mandato e palanque para políticos aparecerem e defenderem reeleição. Posturas açodadas marcaram os posicionamentos e isso não é bom para o país que ainda tem que atravessar quase um semestre de pré eleições.

Vamos ter que avaliar o desenvolvimento das negociações e medidas, assim como os desdobramentos em relação à Petrobras, que por mais que seu presidente negue, segue pressionada. Também teremos que ver como se dará o ressarcimento do “congelamento” de preços do diesel a ser feito por um governo que está na penúria e como os investidores reagirão, intuindo mudança de postura na formatação de preços de combustíveis.

Certamente há espaço para que o mercado possa reagir, e principalmente Petrobras, mas as discussões ainda estão abertas, o que significa difícil avaliação no curto prazo. Na análise técnica, não deveríamos vazar para baixo o patamar de 78.250 pontos, sob pena de afrouxar ainda mais. Para cima muito espaço para recuperar, até que retorne para a faixa de 83.600 pontos, aquela zona grande de congestão.

Alvaro Bandeira
Sócio e Economista-Chefe modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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