FECHAMENTO: Plano de Reestruturação será a saida para a crise na Grécia? .
Queda no índice gerente de compras da zona do euro e da China preocupou investidores.
22 de fevereiro de 2012 - Pelo menos essa é a expectativa do governo da Grécia e a "troika" - formada pela Comissão Europeia (órgão executivo), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI).
O Plano de Reestruturação da dívida grega, que estava em discussão há quase um mês, tomou forma na última terça-feira com a sinalização do Eurogrupo - fórum de ministros de Economia da zona do euro. Com a liberação de 130 bilhões foi também acertado o segundo acordo, segundo o qual os credores privados aceitarão redução de 53,5% em seu montante de dívida, o que possibilitará (assumindo condições otimistas de crescimento e condução fiscal) a redução da dívida pública dos atuais 160% do PIB para 120,5% em 2020.
Os bônus serão substituídos por novos títulos gregos com um valor de 30,5% dos atuais, mais outros avaliados em 15% emitidos pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira.
Além disso, o Parlamento grego deve aprovar um mecanismo chamado Cláusulas de Ação Coletiva (CAC), que obrigará todos os credores a se envolverem no perdão da dívida caso a maioria deles o apoie.
Outro fator que também deixou os mercados europeus no sinal amarelo foi o índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, medida ampla do setor privado que combinada dados manufatureiros e de serviços, da zona do euro recuou para 49,7 pontos em fevereiro, ante 50,4 pontos em janeiro.
Diante deste cenário e, apesar das manifestações de repúdio do povo e de entidades de classes aos cortes do governo grego, os mercados financeiros reagiram com às notícias vindas do Velho Continente.
No campo das matérias-primas, o barril de petróleo Brent para entrega em abril fechou nesta quarta-feira em alta de 1,01%, cotado a US$ 122,90 no mercado de futuros de Londres, influenciado pelas tensões internacionais envolvendo o Irã, um dos maiores exportadores mundiais da commodity.
O petróleo do Mar do Norte, de referência na Europa, subiu US$ 1,24 na Intercontinental Exchange Futures em relação ao pregão de terça-feira. A cotação desta quarta oscilou entre US$ 121 e US$ 123,23.
Em Nova York, o contrato do WTI para entrega em abril subiu US$ 0,03, para US$ 106,28, enquanto o vencimento de maio também registrou alta de US$ 0,03, para US$ 106,78.
No campo acionário, as principais bolsas da Ásia encerraram o pregão desta quarta-feira em alta refletindo a expectativa de que o mercado imobiliário norte-americano esteja se recuperando e também o avanço das exportações japonesas, beneficiadas com o enfraquecimento da cotação do iene.
Ao final desta jornada, em Taiwan, o referencial TSEC Weighted Index teve valorização de 1,01% aos 8.001 pontos; na Coreia do Sul, o referencial KOSPI Composite avançou 0,22% aos 2.028 pontos; na China, o índice SSE Composite, da bolsa de Xangai, avançou 0,93% aos 2.403 pontos; no Japão, o referencial Nikkei 225 da bolsa de Tóquio ganhou 0,96% aos 9.554 pontos e em Hong Kong, o principal indicador, o Hang Seng, subiu 0,33%, aos 21.549 pontos.
Na agenda local, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor manufatureiro da China registrou melhora nas condições de negócios, de acordo com pesquisa ajustada realizada pelo instituto Markits, em conjunto com o HSBC.
Em fevereiro, o indicador ficou em 49,7 pontos, resultado superior ao de janeiro, que foi de 48,8 pontos. Contudo, o indicador continuou abaixo dos 50 pontos.
No Velho Continente, ao final desta jornada, em Frankfurt, o índice DAX 30 caiu 0,93%, aos 6.843 pontos; em Paris, o índice CAC-40 perdeu 0,52%, aos 3.447 pontos; em Milão, o índice FTSE-MIB perdeu 0,92% aos 16.557 pontos; em Londres, o índice FTSE-100 recuou 0,20% aos 5.916 pontos, e em Madri, o índice Ibex 35 teve queda de 1,26%, aos 8.657 pontos.
Na agenda local, as novas encomendas à indústria na zona do euro subiran 1,9% em dezembro comparado ao mês anterior, quando houve queda de 1,1% (dado revisado). As informações são do Escritório Estatístico da União Europeia, o Eurostat. O número veio melhor do que as estimativas que apontavam alta de 0,6% (previsão Forex Factory). No confronto com o mesmo período de 2010, o índice caiu 1,7%.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da França registrou queda de 0,4% em janeiro na comparação com dezembro, quando houve alta de 0,4%. Já na base anual, a inflação cresceu 2,3% no país. Excluindo o tabaco, no entanto o índice caiu na comparação mensal (0,4%) e teve elevação de 2,3% ante o ano passado. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee).
A leitura também indica contração no setor de serviços, que caiu para 49,4 pontos no segundo mês do ano, ante 50,4 pontos em janeiro.
O índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, medida ampla do setor privado que combinada dados manufatureiros e de serviços, da Alemanha recuou para 52,9 pontos em fevereiro, ante 53,9 pontos em janeiro. A leitura também indica contração no setor de serviços, que caiu para 52,6 pontos no segundo mês do ano, ante 53,7 pontos em janeiro.
Nos Estados Unidos, ao final desta jornada, o índice industrial Dow Jones caiu 0,21% aos 12.938 pontos. O S&P 500 recuou 0,33% para 1.357 pontos; e a bolsa eletrônica Nasdaq perdeu 0,52% aos 2.933 pontos.
Na agenda local, a venda de casas existentes (existing home sales) teve crescimento de 4,3% em fevereiro, chegando a 4,57 milhões de unidades contra 4,38 milhões (dado revisado) observado no mês anterior, informou hoje o National Association of Realtors (NAR).
De acordo com o relatório, as vendas ficaram 0,7% acima do registrado em janeiro de 2011. Contudo, o dado veio abaixo do esperado pelo mercado, que era de venda de 4,66 milhões de imóveis (previsão Forex Factory).
No mercado acionário brasileiro, apesar de reduzir as perdas no final da jornada, a Bolsa de Valores de São Paulo não conseguiu alterar a trajetória negativa, encerrando o pregão desta quarta-feira de cinzas em queda de 0,17% aos 66.092 pontos. Ao final dos negócios, o giro financeiro foi de R$ 5,34 bilhões.
Entre as moedas, o dólar comercial seguiu oscilando durante toda esta quarta-feira de cinzas. Há pouco, no interbancário, a divisa era cotada a R$ 1,705 na compra e R$ 1,707 na venda, perda de 0,41%.
No mercado futuro, o contrato para março negociado na BM&F tinha queda de 0,49% a R$ 1,710.
Por aqui, o Banco Central realizou um leilão para compra de dólares no mercado à vista. A operação teve início às 14h55, terminando às 15h. A taxa de corte foi de R$ 1,7083.
Na renda fixa, os Contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) operaram durante toda esta quarta-feira sem uma diração única na BM&F, em uma sessão marcada pela baixa liquidez após o feriado de Carnaval.
Perto do fechamento, os contratos para março de 2012 estavam estáveis a 10,29%; os vencimentos para janeiro de 2013 subiam 0,02 p.p a 9,20%; os contratos para janeiro de 2014 subiam 0,03 p.p a 9,63%; os vencimentos para janeiro de 2017 estavam estáveis a 10,63% e os contratos para janeiro de 2021 caíam 0,01 p.p a 11,01%.
Por aqui, a previsão de analistas do mercado financeiro para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), este ano recuou de 5,29% para 5,24% nesta semana. Para 2013, a estimativa subiu, saindo de 5% para 5.02%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que caiu de 5,21% para 5,02% este ano, e subiu de 4,83% para 4,88% em 2013.
A estimativa para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu de 4,86% para 4,65% este ano, caindo de 4,97% para 4,93% em 2013. No caso do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a projeção caiu de 4,78% para 4,62% neste ano, ficando estável em 5% em 2013.
Os especialistas ouvidos pelo Banco Central (BC) para composição do Boletim Focus, em 17 de fevereiro, estimam que a taxa Selic encerre 2012 em 9,50%, mesmo resultado da leitura anterior.
Para 2013, a projeção ficou estável, permanecendo em 10,50%.
O mercado financeiro manteve as perspectivas de expansão da economia para 2012. Segundo o boletim Focus de 17 de fevereiro, elaborado pelo Banco Central (BC), a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste foi mantida em 3,30% pela segunda semana. Para 2013, a estimativa também ficou estável, permanecendo em 4,10%.
Para a produção industrial, a projeção de crescimento da atividade em 2011 caiu, saindo de 2,70% para 2,50%. Para o ano que vem, a estimativa permaneceu em 4%.
(Ivonéte Dainese, Rosangela Sousa e agências internacionais - www.ulltimoinstante.com.br)
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