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Volatilidade persiste, mas estimativa é de um ano azul para Ibovespa   .

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Analistas ouvidos pelo Último Instante esperam segundo semestre instável na Bovespa, mas variação positiva deve prevalecer.

30 de junho de 2010 - No início deste ano, com o arrefecimento da crise econômica mundial e depois do bom desempenho do Ibovespa em 2009, a maioria dos analistas estava otimista em relação à performance do mercado acionário nacional em 2010, com projeções que variavam de 20% a 30% de valorização este ano, perto dos 90 mil pontos.

Mas, o estouro de uma nova crise - dessa vez envolvendo as economias periféricas da zona do euro, que se viram à frente de dívidas públicas astronômicas - causou um novo estresse no mercado mundial e os principais índices acionários do globo terminaram o primeiro semestre no vermelho, marcados pela volatilidade e pela aversão aos ativos de maior risco.

Com o Ibovespa não foi diferente e depois de subir 82,9% no ano passado, o principal referencial do mercado de renda variável nacional amargou queda de 11,16% no primeiro semestre deste ano. Além disso, o índice caiu 13,41% de abril a junho, em sua pior atuação desde o terceiro trimestre de 2008, auge da crise financeira.

Para o segundo semestre, que se inicia amanhã, os especialistas ainda apostam em uma recuperação e utilizam uma palavra comum: volatilidade. O sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, aponta que o fato deste ser um ano eleitoral deve aumentar ainda mais o sobe e desce do índice.

"Acho que o mercado vai atuar muito conservador este ano. Toda essa conjuntura que acompanhamos e que está sendo diluída pelo mercado também ajuda a trazer volatilidade", diz Zeno. "Com este cenário, é muito difícil fazer projeções, mas o Ibovespa pode chegar até os 75 mil ou 76 mil pontos, o que não é nada demais, pois estaria muito próximo à valorização da renda fixa no ano", afirma o profissional.

No começo do semestre, os analistas da corretora Socopa apostavam nos 88 mil pontos para o Ibovespa, mas com os percalços enfrentados na primeira parte do ano, a equipe da corretora deve mudar as projeções. "Ainda não mexemos no target price (preço-alvo), mas provavelmente haverá alguma revisão nas próximas semanas", afirma o analista Marcelo Varejão.

O operador sênior da corretora Tov, Julio Mora, ainda está otimista em relação aos ativos de risco e acredita na recuperação do Ibovespa neste segundo semestre. "Continuo apostando em alta este ano. Se não acontecer nada, creio que o Ibovespa deve retomar os 72 mil, 73 mil pontos", afirma.

Na mesma linha de otimismo, o analista da Futura Investimentos, Alan Oliveira, acredita que em julho o mercado ainda será "pesado e volátil", mas que a partir de agosto e setembro a bolsa deve traçar um rally de alta. "Nossa perspectiva para o final do ano é um mercado em valorização", acredita o profissional.

O sócio-diretor da Youtrade, Marcelo Coutinho, contudo, prefere não arriscar uma projeção específica para a pontuação do Ibovespa. "Prefiro não falar em um 'número mágico'. O segundo  semestre deve ser volátil e vai ser um período de oportunidades muito específicas", ressalta Coutinho. O investidor vai ter que dar uma boa "garimpada" para achar ativos interessantes dentro dessa instabilidade.

O profissional aponta algumas empresas que podem trazer bons rendimentos aos investidores. "Eu procuro passar uma mensagem mais de curto prazo, por isso eu prefiro falar em algumas empresas que podem ser boas oportunidades e, não em setores". Para ele, Ambev, Lojas Americanas, a construtora PDG e OGX Petróleo possuem potencial de valorização.

Apesar de a economia doméstica apresentar bons fundamentos, o analista não aposta em todas as ações de empresas ligadas ao consumo interno. "Cada empresa tem suas particularidades", afirma.

Além disso, por ser um ano de eleição, na visão de Coutinho, o segundo semestre pode ser uma "caixinha de surpresa" no que diz respeito à política interna. "Não dá pra saber o que vai acontecer".

Mais conservador, o analista da Corretora Uniletra, Waldney Trindade Nery, prefere não arriscar recomedações de papéis. "Não dá para dizer que uma ação será melhor do que a outra e contra essa volatilidade não tem setor melhor", aponta. "Ou o investidor entra em uma aplicação de longo prazo, ou entra na 'jogatina' e não muda de ideia, por que quem troca de ideia é que perde", conlcui o profissional.

(Diego Lazzaris e Mariana Mandrote - www.ultimoinstante.com.br)

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