Enquanto Seleção vai em busca do hexa, investidor reduz negociações na BM&FBovespa .
O sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, aposta em um mês um pouco mais morno. "Culturalmente, em época de Copa, não só o mercado financeiro, mas a atividade econômica como um todo esfria", afirma.
10 de junho de 2010 - A bola já começou a rolar pela Copa do Mundo de 2010, mas a Seleção Brasileira de futebol só entra em campo na próxima terça-feira (15) às 15h30. Entretanto, a Bolsa de Valores de São Paulo não vai dar "tempo" aos negócios. E então, como fica a situação para o investidor-torcedor?
Na última terça-feira (8), a bolsa paulista informou que não vai alterar os horários de operação de ações e derivativos durante os jogos do Brasil no mundial deste ano, contrariando a lógica dos últimos dois torneios - de 2002 e 2006.
Segundo a BM&FBovespa, no segmento Bovespa, o pregão regular funciona em sessão contínua das 10h às 17h, com o after market das 17h30 às 19h. No segmento BM&F, os horários de negociação estão disponíveis em: www.bmfbovespa.com.br > Regulação > Derivativos > Normas de Negociação > Horário de Negociação.
Para todos os especialistas ouvidos pelo Último Instante, o impacto da Copa nas operações deve ser "neutro", mas todos projetam uma queda no volume negociado na bolsa.
O sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, aposta em um mês um pouco mais morno. "Culturalmente, em época de Copa, não só o mercado financeiro, mas a atividade econômica como um todo esfria", afirma.
A mesma opinião é compartilhada pelo analista da Leme Investimentos, João Brugger, que prevê um mês mais "tranquilo", com um fraco giro financeiro. "As negociações devem ser amenizadas", pontua.
"O volume financeiro movimentado na bolsa diminui, principalmente, em dias de jogo. É natural que o investidor se exponha menos", completa Zeno.
Na opinião do analista da Corretora Uniletra, Waldney Trindade Nery, contudo, o brasileiro é mais atrelado ao futebol do que o resto do mundo. "O investidor deve colocar o pé no freio", estima.
Segundo Ricardo Zeno, apenas o investidor de curto prazo é que deve "sentir" um pouco. "Para quem gosta de liquidez fica difícil. Mas para o investidor, que tem uma carteira de longo prazo, não muda muito, vai continuar igual", acredita.
Entretanto, em termos de conjuntura, os jogos mundiais não devem afetar os negócios e os investidores seguem à mercê das notícias sobre a zona do euro.
"As empresas seguem sua cadeia produtiva, assim como o mundo, a sua cadeia de consumo. A eficiência de mercado não deve ser atingida por temas pontuais a não ser que este tema tenha relação com o mercado. Se tivermos algum incidente financeiro ou monetário internacional que traga mais risco ao mercado, por exemplo, isso pode elevar o número de realizações face a gravidade de determinado ponto e sua repercussão no cenário financeiro", explica o sócio-presidente do YouTrade, Marcelo Coutinho.
Apesar da euforia na busca pelo hexacampeonato, as operações devem seguir estremecidas no mercado acionário. Na opinião de Coutinho, o cenário mundial segue com viés de baixa, com sinal de desaceleração em algumas bolsas mundiais. "Geralmente nesses momentos, a volatilidade se torna mais presente em detrimento de uma tendência específica", afirma.
O analista da corretora capixaba Uniletra acrescenta que o situação internacional, por si só, gera um movimento de proteção. "A entrada de novos recursos está bem mais pensada. O capital está entrando aos poucos e muito mais devagar".
Pois é...parece que por aqui, mesmo com toda a paixão pelo futebol, a Copa do Mundo vai ficar para escanteio no mercado financeiro.
(Mariana Mandrote - www.ultimoinstante.com.br)
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