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Aprenda a operar vendido e obter ganhos com a bolsa em queda   .

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Nesse cenário nebuloso, o aluguel ou empréstimo de ações pode ser uma saída, porque o investidor aproveita a tendência de desvalorização de um determinado papel para vendê-lo e recomprá-lo por um preço menor mais tarde.

26 de maio de 2010 - A reação mais comum dos investidores em momentos de crise, como agora, com a Europa, é a "fuga para qualidade", ou seja, a busca por ativos de menor risco. Contudo, o que poucos sabem é que o movimento de baixa também abre possibilidades de ganhos na bolsa.

"O investidor brasileiro, em geral, perde, porque morre de medo de um mercado que está em queda. Onde há crise há oportunidade, e, geralmente, há mais oportunidade do que crise", teoriza o sócio-presidente do YouTrade, Marcelo Coutinho.

Nesse cenário nebuloso, o aluguel ou empréstimo de ações pode ser uma saída, porque o investidor aproveita a tendência de desvalorização de um determinado papel para vendê-lo e recomprá-lo por um preço menor mais tarde.

"A diferença é que o fato de comprar é mais comum. A pessoa pega dinheiro, compra uma ação e vende mais caro. Operacionalmente, comprar um papel para vender por um preço maior ou vender um papel para recomprar mais barato é absolutamente a mesma coisa. O importante é que o investidor saiba que a operação de venda exige um stop diferente de uma de compra", explica Coutinho.

Contudo, há quem já se beneficie desse tipo de operação. Prova disso é o aumento da quantidade de ações no Banco de Títulos (BTC) - nome técnico para aluguel de ações - da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). No mês de maio, marcado pela forte queda na Bolsa de Valores de São Paulo (até ontem, o Ibovespa acumulava perdas de 12,36%), o total de ações alugadas atingiu a máxima do ano, num total de 835 milhões, de acordo com dados da corretora Um Investimentos.

"O pico foi atingido no dia 17 e a partir daí houve uma redução, porque os investidores acreditaram que a bolsa tinha atingido o suporte e haveria um repique. Mas isso não aconteceu, e o volume já voltou a crescer", afirma o operador da corretora, Eduardo Oliveira. Até ontem, segundo dados da corretora, o total está em 722 milhões de ações alugadas.

Dados da CLBC, atualizados até o mês de passado, também indicam um crescimento no valor total de ações alugadas. De dezembro a abril deste ano, o volume total cresceu mais de 38%, de R$ 27,79 bilhões para R$ 38,52 bilhões.

Entretanto, vale ressaltar que a participação dos investidores pessoas físicas nesse tipo de aplicação como tomadores de papel (pessoas que alugam a ação) foi de apenas 4,22% em abril.

Mesmo depois da forte "derretida" da Bolsa de Valores de São Paulo nos últimos dias, Marcelo Coutinho acredita que ainda dá tempo para se beneficiar com esse tipo de aplicação. "O investidor já deveria estar alugando ações há várias semanas ou meses, nós já estamos no final do rally, mas ainda tem espaço para cair".

"O que eu vejo é que cada vez menos papéis estão em posição de venda. Agora o mercado está entrando numa correção. Para voltar a ver aquela queda predominante, eu acredito que devemos aguardar um pouco. O Ibovespa deve oscilar entre 59 mil e 56 mil pontos, e aí sim, se ele recuar, vamos buscá-lo lá nos 52 mil, 48 mil pontos", estima.

Como operar?

Apesar de o aluguel de ações ser uma possibilidade de rentabilidade quando o mercado está em desvalorização, segundo Coutinho, no universo da Youtrade - entre corretora e educacional - apenas 5% conhecem ou sabem o que é esse tipo de estratégia. "O investidor não sabe que ele pode vender sem ter, alugar e esperar cair para recomprar mais barato depois. Aqui mesmo, do pessoal que opera todo dia, mais ou menos 80% está comprado, tomando prejuízo".

A mesma opinião é compartilhada por Eduardo Oliveira que afirma que "é possível fazer dinheiro na queda, mas muitos não estão preparados para ganhar em uma posição vendida".

O aluguel de ações é um serviço por meio do qual os investidores disponibilizam títulos para empréstimos e os interessados os tomam mediante o pagamento de uma taxa. O prazo do aluguel padrão é de 30 dias, renovável ou não.

O operador da Um Investimentos explica que as ações mais líquidas geralmente possuem as taxas mais acessíveis. "Petrobras e Vale têm bastante aluguel e as taxas são mais baixas. Quando você vai para papéis de construção civil, siderurgia e outros que não sejam tão negociados, a disponibilidade é menor e com isso um há um aumento absurdo das taxas".

Outro fator importante no momento de alugar ações, além de entender como funciona a operação e saber quais as taxas envolvidas, é a escolha do papel que se vai pegar emprestado.

Na visão do sócio-diretor da YouTrade, não importa se as ações são de "blue chips" ou de companhias de segunda linha, basta o investidor diagnosticar se elas apresentam uma trajetória de queda e se vale a pena vendê-las.

O conselho do especialista é que o investidor não deixe para os últimos minutos do pregão a decisão de informar à corretora a locação de determinado papel. "Minha orientação para o investidor, que quer dormir vendido, é que ele ligue para corretora com antecedência para se certificar que a ação está disponível. Caso contrário, ele pode acabar prejudicado". 

De acordo com Oliveira, é preciso ter muita atenção na hora de fazer esse tipo de  operação. "Não são todos os papéis que você consegue alugar. Muitas vezes, a ação não está disponível e quando está disponível pode ser que as taxas estejam muito altas", alerta o operador da Um Investimentos.

Coutinho indica esse tipo de aplicação, inclusive, para investidores iniciantes, desde que ele entenda a mecânica da locação de ações. "A transação é segura desde que ele saiba o que está fazendo. O investidor que está entrando na bolsa agora pode começar tanto na mão de compra como na de venda, não tem problema nenhum. O importante é ter uma estratégia".

Para aqueles que pensam em se arriscar nesse tipo de operação fica a dica: o conhecimento em análise gráfica é fundamental. "O conhecimento em análise técnica é obrigatório para quem vai operar no curto prazo. Que outra escola dá ao investidor a oportunidade de fazer um trade de dias? Mas o investidor não precisa ser o maior conhecedor em análise gráfica, ele tem que saber como agir em terminada situação e não, necessariamente, escolher a ferramenta. Ele pode recorrer à corretora", aponta o sócio-diretor da YouTrade.

Para ele, "a bolsa dá muitas oportunidades de ganhar dinheiro", mas o investidor precisa se qualificar. "Ele não sabe e teme o que desconhece. O investidor não estuda, não se aplica. É mais fácil perguntar do que ler o manual. Basicamente, o que o investidor faz é isso, ele vai pelo que é mais fácil", conclui.

(Diego Lazzaris e Mariana Mandrote - www.ultimoinstante.com.br)

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